A FADEM E O TERCEIRO SETOR

A FADEM E O TERCEIRO SETOR

A FADEM passou por diversas dificuldades administrativas e financeiras em sua gestão: acumulou dívidas, atrasou pagamentos de pessoal e quase fechou as portas algumas vezes. Por contingências de sua história, a administração inicial, realizada por familiares de crianças atendidas na instituição, em determinado momento passou integralmente para as mãos de profissionais da equipe técnica. Após alguns anos de sobrevivência institucional, inexperiência administrativa e de um clima de esgotamento geral, já que se vivia sem saber o dia de amanhã, foi possível compreender a necessidade de mudar e se adaptar a um novo contexto social.

Desde então, foram priorizados dois aspectos fundamentais: a qualificação dos atendimentos e sua manutenção e o conhecimento na área da gestão. Este novo caminho também foi longo e cheio de altos e baixos, pois a FADEM necessitava ser gerenciada ao mesmo tempo em que o aprendizado em gestão por parte da diretoria acontecia. Colocar a “casa” em ordem, as contas em dia e pensar no futuro deu e tem dado muito trabalho. Atualmente o enfoque vigente é descentralizador, sendo que os programas, os projetos e as políticas sociais precisam necessariamente garantir direitos. Estes direitos reconhecem a cidadania e dizem não ao paternalismo e ao clientelismo e, principalmente, fortalecem a autonomia de indivíduos e de grupos. Em decorrência destas mudanças, uma ampla discussão sobre a responsabilidade social passou a integrar as agendas de muitos fóruns civis, mas, entre muitos outros, ressaltamos aqui o aspecto referente à “responsabilidade ou dever de quem” levantado nesta discussão. Ou seja: Quem deve suprir os direitos – demandas e necessidades – das populações vulneráveis, em risco social?

Hoje há uma tendência em dividir este dever entre o Primeiro Setor (setor público), o Segundo Setor (setor privado) e o Terceiro Setor (sociedade civil), fomentando a solidariedade em cada indivíduo para o bem comum. Então, se desejamos uma sociedade mais justa, somos todos responsáveis em aferir nossa parcela nesta busca. Dentro desta ideia de formar alianças intersetoriais, construir redes e parcerias, situamos o aprendizado fundamental que tivemos para a manutenção do trabalho da FADEM. Como muitas outras organizações do Terceiro Setor, a FADEM necessitou deixar de somente pedir e esperar doações para aprender a propor parcerias e buscar investidores, sair de dentro da instituição, mostrar o seu trabalho e integrar e formar suas redes; enfim, participar e dialogar com os demais setores da sociedade. Muitos conceitos e muitas ferramentas foram acumulados e “testados” no decorrer desta caminhada. Por exemplo, trabalhar a partir do planejamento estratégico oportunizou à FADEM, a sua equipe e aos demais públicos envolvidos, vislumbrar um leque de possibilidades para o presente e o futuro, com maior clareza de sua missão, visão e propósitos, estabelecendo metas e criando indicadores do trabalho com sua clientela hoje definida como Pessoas com Deficiência (PCD).

Quem planeja tem mais segurança para escolher o que fazer e  manter o foco, para definir as ações, a forma de fazer, em que tempo, seu custo e, uma vez realizadas, para definir quais foram seus resultados, mensurando-os, avaliando-os, monitorando e corrigindo os rumos do trabalho. Junto a isso, princípios como complementaridade, transparência, flexibilidade e sustentabilidade constituem a base para quem deseja partilhar dos desafios do trabalho social hoje.