O Nascimento da Fundação de Atendimento de Deficiência Múltipla – Parte 2

O Nascimento da Fundação de Atendimento de Deficiência Múltipla – Parte 2

Por: Sílvia Maria Prado da  Silva

(Parte 2 de 4)

 

No ano de 1986, a FADEM enfrentou as primeiras dificuldades financeiras. Foi necessário organizar outras formas de capitalização. Neste período, buscou-se a realização de um convênio junto à antiga Legião Brasileira de Assistência – LBA para custear a escolarização das crianças e dos adolescentes, mas este convênio não aconteceu porque a LBA somente realizava convênio para atendimento clínico. Então a Fundação firmou o convênio para atendimento clínico, organizou uma equipe clínica, e as crianças e os adolescentes que eram atendidos na Clínica Bárbara Fischinger passaram a ser atendidos na FADEM. A equipe era composta por: Serviço Social, Terapia  Ocupacional, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Psicologia. Os profissionais que compunham a equipe eram funcionários da Clínica Bárbara Fischinger, que passaram a realizar algumas horas de atendimento na FADEM.

Neste período, a FADEM localizava-se no Bairro Auxiliadora em frente ao Hospital Militar. Devido à precariedade de condições do imóvel e à impossibilidade deste comportar a escola e os atendimentos clínicos, esta se mudou para a Avenida Mariland, no Bairro Auxiliadora, próximo à Rua Vinte e Quatro de Outubro, para uma casa cedida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Embora a FADEM existisse como uma instituição com uma proposta de trabalho diferenciado da clínica de sua fundadora, foi a partir das exigências da LBA para renovação do convênio que se iniciou um processo de separação e independentização em relação à Clínica Bárbara Fischinger. Foi exigido que a FADEM organizasse uma equipe clínica própria, com carga horária especificada e com entrega de relatórios referentes aos atendimentos clínicos. Foi nesta ocasião que a FADEM assumiu a responsabilidade institucional em relação aos atendimentos clínicos e à escola, contratando os profissionais que estavam atuando na instituição.

Entre 1986 e 1987, ocorreu o agravamento das dificuldades financeiras. A presidente da Fundação propôs como solução o seu fechamento. No entanto, a instituição se manteve. Bárbara Fischinger se afastou da direção e da Fundação. A FADEM passou, então, a ser presidida e administrada pelos pais dos pacientes e alunos. Com a saída da fisioterapeuta Bárbara Fischinger, saíram também algumas famílias, enquanto outras, que estavam recém chegando à instituição, decidiram ficar. Com as dificuldades financeiras – dívidas, salários defasados e em atraso –, soma- das a uma administração não eficiente, desencadeou-se um movimento com paralisações e greve, havendo demissões de funcionários.

No final da década de oitenta, a Fundação passou por uma nova crise financeira. Nesta ocasião, o grupo de pais que administrava a instituição, não vendo saída diante das dificuldades, propõe fechar a instituição.

Foi  então que um grupo de técnicos resolveu assumir a  Fundação.

Os profissionais decidiram que não iriam realizar uma gestão somente da equipe técnica. Alguns pais foram convidados a participar.

Além da saída de alguns profissionais, saíram também algumas famílias. Neste momento, a escola deixou de funcionar, e seguiram sendo realizados na instituição somente os atendimentos clínicos. Inicia-se um processo de organização da documentação da instituição para conhecer sua real situação, para o qual os técnicos buscam assessoria nas áreas administrativa, financeira e jurídica.

Durante estes períodos de crise, a Fundação teve o auxílio de algumas pessoas que promoveram eventos sociais em benefício da manutenção da instituição.

Quando ocorreu esta iniciativa, já vinham acontecendo algumas mudanças no trabalho clínico e também um forte investimento neste por parte dos técnicos. Um aspecto importante destas mudanças se relaciona à aproximação com a Psicanálise, que possibilitou a alguns técnicos vislumbrarem uma outra forma de refletir sobre o fazer clínico.

 

(Continua…)