O Nascimento da Fundação de Atendimento de Deficiência Múltipla – Parte 3

O Nascimento da Fundação de Atendimento de Deficiência Múltipla – Parte 3

Por: Sílvia Maria Prado da  Silva

(Parte 3 de 4)

 

FADEM e Psicanálise… Aproximações

O primeiro contato com a psicanálise se deu com o ingresso da psicanalista Ana Virginia Canani. Uma das principais questões apontadas à equipe pela psicanalista foi a relação entre técnicos e pais e seus efeitos no trabalho clínico. Os técnicos e pais ocupavam concomitantemente dois lugares: os técnicos eram terapeutas/funcionários dos pais de seus pacientes, e os pais, patrões/pais das crianças e adolescentes atendidos por seus funcionários.

Com a saída de Ana, ficou em seu lugar seu ex-estagiário, o psicólogo João Fernando Trois. Nesta ocasião, a equipe solicitou à administração da Fundação que se criassem uma coordenação clínica e uma coordenação pedagógica na tentativa de reorganizar o trabalho. A presidência da Fundação indicou uma Terapeuta Ocupacional para a função.

João, de sua parte, apontou à equipe a necessidade de se fazer uma discussão teórica sobre o trabalho e começar a pensar na troca de lideranças. Forem organizados pelo psicólogo horários para interconsulta com os técnicos. Porém, a maioria dos profissionais não utilizava este espaço que, então, deixou de existir, e as horas foram utilizadas para atendimento clínico. João acabou saindo da Fundação quando esta passou a ser administrada pelos técnicos.

Os técnicos na direção e na administração da FADEM

Neste novo período, havia entre os técnicos um certo mal-estar pelo fato da FADEM estar realizando somente atendimento clínico.

A opção de que a FADEM seguisse trabalhando com atendimento clínico foi novamente nesta ocasião uma escolha possível para que a instituição não fechasse as suas portas.

Neste período, ocorreu uma aproximação maior entre os técnicos, que antes estavam divididos, a equipe da escola e a equipe clínica. Para entender esta aproximação, farei uma recapitulação  da história até aqui contada.

Desde os primórdios da criação da FADEM, a constituição da equipe foi acontecendo de uma forma e em um ritmo guiados pelas necessidades de um processo institucional. Inicialmente, formou-se um pequeno grupo de profissionais para a constituição da escola. Posteriormente, somou-se a este grupo uma equipe clínica organizada por meio do convênio FADEM e LBA, que surgiu da necessidade financeira de novas fontes de renda para a manutenção da Fundação. As reuniões de trabalho clínico e escolar aconteciam entre as duas equipes separada- mente, embora houvesse, por parte da coordenação, a tentativa de construir um trabalho multiprofissional. Mas não havia por parte dos técnicos a necessidade de construção de um espaço de interlocução com a perspectiva de fundamentar sua prática teoricamente e/ou construir esta fundamentação a partir da sua experiência. Os profissionais foram se constituindo como um grupo no qual cada um desenvolvia seu trabalho no mesmo espaço físico e com uma clientela em comum.

Embora houvesse uma convivência entre a equipe da escola e a da clínica, é nesse momento, no qual se desfaz a escola, que se inicia a possibilidade de construção de um outro fazer junto às crianças e aos adolescentes. Um outro fazer que vai se construindo através de encontro – o encontro entre os terapeutas e seus pacientes na cena clínica. São encontros que vão possibilitar o repensar o trabalho a partir da intervenção do outro com uma determinada criança/adolescente.

 

(Continua…)